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Quinta-feira, 03 de Janeiro de 2013 - 14:38
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Um padre BALADEIRO

Padre Washington, de 30 anos, fala sobre a sua rotina na cidade, que inclui uma nova forma de evangelização e o convívio com jovens nos eventos de entretenimento noturnos
Foto: Paulo Henrique Baldini / Revista Viu
Padre Washington conta um pouco de sua vinda para a cidade, o que falta para a comunidade e rebate as críticas que sofre por frequentar festas
Padre Washington conta um pouco de sua vinda para a cidade, o que falta para a comunidade e rebate as críticas que sofre por frequentar festas
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Padre Washington conta um pouco de sua vinda para a cidade, o que falta para a comunidade e rebate as críticas que sofre por frequentar festas
Padre Washington conta um pouco de sua vinda para a cidade, o que falta para a comunidade e rebate as críticas que sofre por frequentar festas

Religião lembra cultura, crenças, visões de mundo, espiritualidade e valores morais. Algumas têm narrativas, símbolos, tradições e contos sagrados. Além de buscar dar sentido à vida, explicar sua origem e a do universo, também pode transformar a vida das pessoas. Na Igreja Católica, ela possui estruturas e cargos, como o Papa, Cardeais, Patriarcas, Arcebispos, Bispos, Presbíteros, Padres e Diáconos. No entanto, antes de se tornar membro oficial da igreja Católica é preciso muito estudo e dedicação, como é o caso do Padre Washington Pascoal Ribeiro, 30 anos, há dois anos a frente da Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro Cidade Jardim.

Padre Washington nasceu em Cerquilho (SP) e desde criança, além de estudar, também trabalhava e ajudava a família a cumprir as obrigações. Mas nunca deixava de frequentar a Igreja e seguir seus ensinamentos. Aos 13 anos, já participava efetivamente da comunidade e foi se encantando com as maravilhas que poderia oferecer. Durante o ano 2000, fez convívios vocacionais e em 2001, aos 18 anos, ingressou no Seminário para aprimorar seus conhecimentos sobre os mandamentos católicos.

Formado em filosofia pela UNISO (Universidade de Sorocaba) e com o curso de teologia pelo Instituto de Teologia João Paulo II, após 10 anos em Sorocaba, Padre Washington veio para Porto Feliz onde ensinar seus fiéis a conviver em sociedade, buscar força na fé e, como todo bom cristão, evangelizar tanto na igreja como nos momentos de lazer. Nesta entrevista, Padre Washington fala sobre a sua vinda para a cidade, sobre a adaptação, o que falta para a comunidade e rebate as críticas que sofre por frequentar festas e baladas na cidade.

Quem era o jovem Washington antes da conversão?

Nasci e fui criado na zona rural, entrei muito cedo para o Seminário, com apenas 18 anos. Antes disso estudava e trabalhava em casa ajudando a família.

Por que resolveu se tornar padre?

Desde pequeno tive uma vida de participação na Igreja. Quando tinha meus 13 anos já tinha uma vida de comunidade e isso foi me encantando. Creio que vocação é de fato um chamado que experimentamos, é difícil explicar...

Quando foi isso?

Fiz convívios vocacionais durante o ano de 2000 e em fevereiro de 2001 ingressei no Seminário.

Em qual Seminário estudou para se tornar padre?

Toda minha formação aconteceu no Seminário da Arquidiocese de Sorocaba, passando pelas três etapas: Propedêutico, Filosofia e Teologia.

Quanto tempo estudou no Seminário?

Durante oito anos.

Qual foi a maior dificuldade que enfrentou no tempo de formação?

Creio que no início, durante a adaptação visto que saí da zona rural para uma cidade como Sorocaba. No início ficava muito perdido.


               Imagem
                                      "Ser cristão não é algo exterior, mas é vivenciar o que Deus espera
                                                de nós. Deus conhece nosso coração, às vezes, ficar em casa
                                                      desejando mal ao próximo, ou falar da vida alheia é pior
                                                                            do que qualquer coisa".

O que precisa para se tornar um padre nos dias atuais?

Durante o tempo de formação precisamos desenvolver as dimensões pastoral, espiritual, intelectual, comunitária e humana-afetivo, ou seja, precisamos trabalhar as diversas áreas de nossas vidas, para que entendendo nós mesmos possamos entender e ajudar o próximo. Todas estas dimensões acompanhadas por uma equipe não julgadora, mas que estavam para ajudar.

Onde atuava antes de vir para Porto Feliz?

Me ordenei em maio de 2009, ficando até agosto de 2010, junto a Paróquia São Bento – Parque São Bento – Sorocaba (SP), onde exercia a função de Vigário Paroquial, ou seja, ajudava outro Padre.

Por que veio para cá?

Devido à necessidade da Paróquia. O Arcebispo pensando num padre que pudesse corresponder à realidade desta me enviou para cá.

Como foi sua adaptação a cidade?

Fiquei 10 anos em Sorocaba, portanto, ainda sinto saudades, no entanto, creio que ainda estou me adaptando aqui.

Como foi recebido na Paróquia Nossa Senhora Aparecida?

Fui muito bem recebido, me adaptei rápido, pois esta é uma das características da Igreja Católica, comungamos de uma Unidade, que onde formos seremos bem recebidos.

O que achou do povo de Porto Feliz?

Um povo muito bom, porém um pouco fechado e ainda preso a um “tradicionalismo” em todos os aspectos.

E da Comunidade Católica?

Um povo de fé, mas que também vive um “tradicionalismo”. Por um lado isso é positivo, mas por outro atrapalha.

O que tem a dizer a respeito dos jovens porto-felicenses?

Lamento muito os jovens daqui não terem tantas oportunidades na cidade. Falta estrutura para acolher os futuros profissionais e, o pior de tudo, falta lazer. É lamentável uma cidade no porte de Porto Feliz não ter um Ginásio de Esportes, por exemplo.

Como a população encara o trabalho que realiza?

Sempre é difícil avaliar isto, no entanto, minha Comunidade Paroquial corresponde muito bem as nossas atividades. Creio que isso signifique uma boa aceitação.

O que Porto Feliz possui de melhor em relação à Igreja?

Como dizia o “tradicionalismo” tem seu lado positivo. Vejo que aqui o povo ainda conserva muitos valores e mantém as tradições religiosas. Busco em meu pastoreio resgatar muito dessas tradições. Amo uma procissão.

O que ainda pode ser melhorado?

As tradições devem ser mantidas, resgatadas, porém inovadas, feitas de um modo, de uma maneira nova. Dando oportunidades a outras pessoas para mostrarem seus talentos.

A maior parte das pessoas que costumam frequentar a Igreja são pessoas mais experientes. Por que a comunidade católica em Porto Feliz não possui muitos jovens?
Creio que temos muitos jovens católicos, que talvez não se destaquem por uma série de situações, entre elas, destacaria a própria correria dos jovens por terem que buscar oportunidades fora da cidade, o próprio “tradicionalismo” atrapalha. Creio que também por uma visão equivocadas muitos jovens não procuram a Igreja por achar que por isso não poderão fazer outras coisas.

Como atraí-los?
Sendo um deles. Os jovens precisam ser acolhidos e respeitados como qualquer pessoa, bem como estarem conscientes de suas responsabilidades. Tudo tem limites.

O que acha da afirmação de que a Igreja Católica está perdendo terreno para as Evangélicas? É Verdade?
Ninguém perde o que não tem! Talvez por não conhecerem e experimentarem a verdadeira fé católica alguns a deixam.

Como a Igreja Católica no município lida com essa situação?
Ao invés de se preocupar com quem esta fora, nos preocupamos com quem está dentro. A missão da Igreja não é agradar a todos e sim anunciar o Evangelho a todos.

O trabalho que faz é voltado para a Pastoral ou para a Renovação Carismática?
A Renovação Carismática faz parte dos planos pastorais da Igreja. A Igreja goza de uma unidade que se dá na diversidade. Gosto muito da espiritualidade da RCC, porém não gosto de exageros. Como Padre tenho que estar a serviço e aberto a todas as formas de espiritualidade.

O que acha da forma de evangelizar dos Padres Marcelo e Fábio de Melo?
Ambos têm seu valor, é importante o trabalho que desenvolvem. Particularmente não faria o que fazem, vejo que o padre deve estar no meio do povo através da pastoral e não da Mídia.

Os Católicos tem uma “fama” de serem relapsos em relação às práticas religiosas. Você concorda com isso?
Depende da visão que temos do que é ser católico. Para mim católico de verdade é aquele que frequenta assiduamente a sua comunidade, e não ficam só presas as práticas religiosas, mas no seu cotidiano busca viver o Evangelho.

O que é preciso fazer para ser um bom cristão?
Nosso Senhor já deu a resposta: “amai-vos uns aos outros”. Ser cristão não é ficar preso a uma doutrina, a leis. Doutrina, leis, regras são importantes, mas que devem estar a serviço de uma prática. O bom cristão não é aquele que diz Senhor, Senhor, mas aquele que busca fazer a Vontade de Deus.

Você costuma participar de eventos noturnos e lugares badalados. Isso já te causou algum tipo de problema? Qual?
Ser cristão não é algo exterior, mas é vivenciar o que Deus espera de nós. Deus conhece nosso coração, às vezes, ficar em casa desejando mal ao próximo, ou falar da vida alheia é pior do que qualquer coisa. Gosto muito de estar com amigos, de passear, e também poder servir a Cristo. Isso não me causou nem um tipo de problema, a não ser julgamento de pessoas que não entendem.

O que os fiéis acham disso?
Cada um é livre para ter sua opinião. Amo ser Padre e isso é o que importa. Tenho consciência de minha missão e não estou fazendo nada de errado, apenas sendo eu, fazendo o que gosto. Só não aceito calúnias. Deixo registrados todos meus passeios no meu facebook, pois não tenho nada para esconder. Todas as vezes que saio é com o pessoal da própria Igreja, aliás, muitos começaram a frequentar mais a Igreja a partir deste contato.

O que falam quando veem você na “balada”?
Geralmente, os que criticam negativamente não falam na minha frente. Os que estão comigo acham isso muito bacana, nunca acharam que deixei de ser padre por estar me divertindo com eles.

Como reage em meio a esses comentários?
Já chorei muito por críticas, mas, hoje já estou acostumado. Sou Padre, mas antes sou gente, portanto, se tratando de calúnias tenho direitos de me defender.

Isso pode ser considerado algum tipo de preconceito?
Sim. Pois as pessoas esquecem que o Padre é um ser humano, que também tem o direito de se divertir. Trabalho de segunda a segunda cuidando de 22 comunidades, procurando fazer o melhor de mim. Nunca deixei de cumprir meus deveres devido ao lazer.

Quais são seus planos a frente da sua Comunidade?
Tem muita coisa ainda para ser feita, mas é no corre-corre de nossas atividades que a amizade, a comunhão vai acontecendo. E, acima de tudo, vamos nos conhecendo, o que é fundamental. Temos muitas festas e sempre encontramos um ambiente familiar. Cada uma delas é momento propício para que o verdadeiro sentido de sermos uma Paróquia aconteça. Talvez meu maior projeto, seja a ampliação da igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida.

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