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Terça-feira, 08 de Maio de 2007 - 09:35
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Tereza é a segunda mulher a ser presidente em Porto

Uma grande reviravolta marca a carreira política da nova presidente da Câmara Municipal de Porto Feliz. Aos 54 anos, dois filhos e um neto, Maria Tereza de Moraes, está no seu terceiro mandato como vereadora e, após ser chamada de “apagada” por um jornal de Sorocaba, deu a volta por cima e passou de recepcionista de um posto de saúde a presidente da Casa em fevereiro.

Nesta entrevista, Tereza, como é conhecida na cidade, fala sobre sua carreira de funcionária pública e vereadora. Comenta, também, a tumultuada eleição da mesa diretora e a surpresa que teve com os valores das obras do prédio da Câmara, contratadas pelo seu antecessor Fernando César de Miranda.

A senhora entrou no lugar do Valter Rodrigues “Saci”?

Não. Era 2ª suplente. O Barba as­sumiu a vaga do Valter Saci, e saiu de licença. Assumi a vaga dele. Quando a doutora Simone faleceu, entrei no lugar dela e Nei do Mercadinho, no lugar do Barba. Agora também sou a presidente. Se o Barba voltar quem sai é o Nei do Mercadinho.

Há quantos anos a senhora é funcionária pública?

Há 17 anos trabalho como recep­cionista no posto de saúde do Bambu. Nasci em Itu, fiz curso de contabili­dade, trabalhei no Banco Nacional. Vim para Porto Feliz, me casei, tive filhos e passei no concurso público da prefeitura, como recepcionista, até pedir afastamento em fevereiro.

Na última eleição a senhora ficou apenas como suplente. Por quê?

A maioria dos meus eleitores são do Bambu, Porungal, Cidade Jardim, onde é meu reduto, então, como estava trabalhando na promoção social tinha pouco contato com essas pessoas. Na minha primeira gestão recebi 482 votos, na segunda 401 e na última, na qual estava afastada da maioria dos meus eleitores tive apenas 288 votos. Nessa eleição não pedi voto nesses bairros. Fiquei como 2ª suplente.

Quando a senhora descobriu que queria ser presidente?

Cumpria com minhas obri­gações como vereadora. Não planejava ser presidente. Vários vereadores me pediram voto e até mesmo o prefeito. Aí, fechou os dois grupos. O de Valter me ofere­ceu a vice-presidência. No grupo do partido onde fui eleita, fazia parte do grupo apenas, e o Nei do Mercadinho era o candidato a presidência. Depois me ofereceram o cargo de vice-pre­sidente ou 1ª secretária. Depois de várias discussões, sugeriram que fosse a presidente. Falei com o prefeito sobre a proposta e ele disse que tudo bem porque o grupo deles já estava fechado. Cheguei a sugerir que Miguel fosse o presidente, porque seria mais fácil negociar, mas, Valter de Lara não quis abrir mão do cargo.

Quando Valter deixou de ser oposição?

Isso foi durante a minha licença. Um dia, ele me ligou dizendo que tinha fechado com a bancada do PT e com o Nando César, e contava com meu voto. Os dois lados dependiam do meu voto para o desempate. Pedi a Deus que me mostrasse o caminho que deveria seguir. Tudo caminhou para que eu fosse a presidente.

A senhora foi pressionada? Quem pressionou mais?

Sim, pelos dois lados, afinal, am­bos queriam meu apoio e a vitória.

Que tipos de pressões a senho­ra sofreu?

Me disseram que se os apoiasse, poderia contar com o executivo, que o PL já estava terminando, e eu poderia entrar no PDT. Conversei com os dois lados e assinei como presidente. Entreguei a decisão na mão de Deus e naquele momento senti que era o que tinha que fazer. Então fiz.

A senhora teve medo na condi­ção de funcionária pública?

Não. Depois que aceitei ser presidente, resolvi ir até o fim. Já estava na hora, afinal estou no terceiro mandato e o grupo se ofereceu de coração e depositou toda a confiança em mim. Acredito que em relação às sessões especiais realizadas de manhã, foi uma for­ma de nos pressionar a aceitar o acordo sugerido por eles.

Qual é o tipo de ajuda que o prefeito dá para a ban­cada dele?

Ele atende mais rápido as rei­vindicações, resolve as mais compli­cadas, conversa e avisa os diretores para resolverem os problemas.

O Legislativo fiscaliza o execu­tivo. Como a senhora pretende fazer isso?

Pretendo acompanhar tudo o que está acontecendo, e o que não estiver correto vou procurar ajuda do jurídico. Vou analisar esses projetos emergen­ciais, porque acho complicado votar sem analisar antes, até mesmo para o executivo. O que podemos fazer é pedir uma sessão extraordinária para aprová-los. Espero que esses pedidos emergenciais diminuam.

E em relação as obras da Câ­mara, o que houve?

O prefeito devolveu o prédio em novembro, foi feita uma rápida licitação carta-convite no valor de orçamento de R$ 150 mil reais, o contrato foi fechado no dia 11 de dezembro pelo ex-presidente Nando César. A licitação foi feita com sete empresas. Só que não foi consultada a opinião dos vereadores, principalmen­te em relação às salas dos vereadores e dos assessores. Foi discutido entre o Valter de Lara e o Nando César, que eram presidente e 2º secre­tário. Enfim, foi programado tudo em alvenaria, sendo que nem precisaria mexer nas salas. Também foram feitas apenas oito departamentos, sendo que um vereador ficaria desalojado. Mas, conseguimos dar um jeito para fazer outra sala.


Em que pé está a obra hoje?

Está em R$ 103 mil sem a com­pra e colocação do piso. Estamos estudando o contrato e vendo com o jurídico o que dá para fazer. Porque a divisória teria o mesmo efeito. Fiz uma reunião com a mesa e com o Schettini, arquiteto da prefeitura. Eu e Mumu concordamos que o valor do piso está muito alto e o da porta da entrada, que custa R$ 6 mil, também. O Nando César diz que confia no contrato, porque é a mesma empresa que fez o serviço no cemitério. Numa próxima licitação, pretendo consultar todos os vereadores, ouvir opiniões, não vai ser mais assim.


A obra pára ou continua?

Pedi para que parassem a obra por uns dias, mas a diretora Élide Marto­rano disse que teríamos que pagar os dias parados dos funcionários. Então, a obra continua, até termos uma posi­ção do jurídico da Câmara.


Como será sua gestão na Câmara?

Pretendo ter o apoio de todos os vereadores. Trabalharei junto com o executivo, trocando idéias, tendo di­álogo, sempre com clareza. Manterei a equipe atual de trabalho.


O que a senhora acha da atuação do ex-presidente Nando César?

Demorava para começar a sessão. Ele não tinha diálogo com os outros ve­readores. Tomava as decisões e ponto.


Entre a doutora Simone e Nando César, qual modelo a senhora pretende seguir?

O modelo da doutora Simone, por­que ela era clara, objetiva, estudava todos os projetos, brigava quando precisava, ela queria resolver tudo, buscava informações, estava sempre junto com todos os vereadores e, mesmo doente, não deixou de fazer o que tinha que ser feito. Era amiga, você podia discutir sobre qualquer coisa, pedir opinião, acredito que ela está me ajudando muito e vai me ajudar ainda mais.

Sair de recepcionista para presidente não te assusta?

Não. Porque agora pedi afasta­mento, estou na Câmara em tempo integral, estou estudando, aprendendo muito. Às vezes, quando somos ve­readores, ficamos acomodados mas, como presidente, isso não é possível, é preciso estudar o regimento interno, analisar os prós e contras com mais profundidade e tomar a decisão cor­reta. Enfim, correr atrás.


A senhora pretende rever coi­sas passadas pela Câmara e, que não foram feitas de acordo?

Sim, se houve algo que foi feito incorretamente, eu pretendo analisar junto com o jurídico a melhor solução para esses problemas. Não posso dei­xar quieto, só porque passou.


Qual é seu projeto político a partir de agora?

Por enquanto, pretendo exercer com sabedoria a presidência. Na próxima eleição, vou me candidatar â vereadora. Vou tentar a reeleição em 2008 e espero que as pessoas me dêem mais um voto de confiança

Fonte:  revista Viu!

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