Notícias

Tamanho da FonteDiminuir FonteAumentar Fonte
Sexta-feira, 01 de Junho de 2007 - 20:01
Imprimir

"Temos que agarrar as oportunidades", diz Tomé

A Sid-Nyl começou em 1983, no fundo de quintal, passou por muitas reformulações e hoje atende tanto o mercado interno quanto o externo.
É, na verdade, a terceira maior empresa do ramo de bonecas do Brasil. O proprietário Sidnei Tomé não esconde o segredo de tanto sucesso: trabalho árduo aliado à sorte, claro. “As oportunidades passam na nossa frente e temos de agarrá-las”, ensina.
Nesta entrevista, Tomé fala sobre o início e o desenvolvimento da empresa até chegar aos dias de hoje, produzindo cerca de quatro milhões de peças anuais. O empresário também fala da política da cidade e um assunto que ele conheceu de perto: a violência urbana.

Como foi o começo da Sid-Nyl?
De início, foi uma forma de sobrevivência. Pedi para minha mãe vender um alqueire para comprar uma máquina retilínea. Resolvi montar, além da micro malharia, um atacado de confecções, na qual eu utilizava a etiqueta Sid-Nyl. Por coincidência, um determinado fabricante de bonecas me pediu para fazer um vestidinho de boneca. Fiz e o fabricante pediu uma quantidade razoável. Como era muita coisa, reparti o trabalho com diversos colegas da cidade e da região. Assim fui entregando os vestidinhos e percebi que tinha o recurso necessário para montar uma fábrica. Comecei fabricando brinquedos. Minha mãe fazia as roupinhas e eu montei o catálogo para sair vendendo. Saí do quintal de casa em 1984 e fui para a Barão do Rio Branco até 1991, quando vim para Dr. Antonio Pires de Almeida, para um barracão com 708 metros construídos, onde pagava aluguel. Arregaçamos as mangas e começamos a trabalhar. Felizmente deu certo! Hoje temos 17 mil metros quadrados construídos e perpectivas de crescimento contínuo.

Quando deixou de ser um pequeno empreendedor e passou a ser um grande empresário?
Tudo foi conseqüência. Uma fase foi levando a outra, até chegar onde estamos hoje. No começo, foi tudo pela sobrevivência. Fazer investimentos em tecnologia, mão de obra, ajudar a dar emprego, ajuda institucional para hospitais, entidades. Se você parar de crescer, de investir, de buscar tecnologia e mercado, a tendência é morrer. Então prefiro que cresça do que morra.

Qual seu volume de negócios anualmente em números?
A Sid-Nyl começou fabricando brinquedos populares, passou a fazer para o mercado médio e atende atualmente as classes A, B e C, então cresceu no preço agregado e não na quantidade. Atualmente, fabricamos quatro milhões de peças anualmente.

A Sid-Nyl também exporta?
Sim. A Sid-Nyl vende para o Brasil inteiro e também exporta para o Mercosul, especificamente para a Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile. Estamos em negociação com o grupo que comprou o Pão de Açúcar, para fazer um trabalho juntos no exterior.

Como a Sid-Nyl alcançou o sucesso?
São diversas decisões que foram tomadas corretamente em várias épocas. Nestes 23 anos aconteceram muitas coisas no Brasil: inflação, hiperinflação, plano Collor, plano real. Busquei diversas alternativas. Tive que me enquadrar na tecnologia dos produtos e nas condições de pagamento. Passamos a patentear nossos produtos. Por exemplo, uma boneca que toma injeção e solta lágrimas, uma que toma sorinho, entre outras.

Quem desenvolve os projetos?
As idéias são minhas. Chamo a equipe e eles fazem a parte do desenvolvimento.

O mercado chinês afeta o ramo da Sid-Nyl?
Sim. A China ameaça o mercado mundial, mas costumo dizer que para tudo sempre tem uma saída.

O senhor é uma pessoa de sorte?
Sim, sou abençoado por Deus. A sorte existe para todo mundo igual, só que você tem que saber pegá-la no momento certo. Tem pessoas que não conseguem pegar nunca.

Como vê o desenvolvimento da cidade como um todo?
Acredito que Porto Feliz merecia muito mais ao longo do tempo. Sou portofelicense e acho que era para ter mais estrutura, mais o que oferecer. O parque industrial deveria ser maior e o turismo também, afinal, Porto Feliz está perdendo para cidades que não tem nada, mas só com o marketing já são conhecidas pelo turismo. Aqui é o Porto das Monções e deixa muito a desejar. Mas eu ainda tenho esperança de que esse pessoal ainda vai resgatar o progresso na cidade.

A quem atribui essa deficiência?
Na verdade, é um conjunto de fatores que não ajudam a cidade a se desenvolver. Acho que nenhum administrador conseguiu pegar a sorte quando ela passou à sua frente.

Faltam lideranças para ajudar a cidade a se desenvolver?
Com certeza. Acho que o administrador público competente não é aquele que faz muito em pouco tempo. Mas sim aquele que sabe nomear bem. Pode ser municipal, estadual ou federal, tem que saber fazer as escolhas certas para se obter sucesso. Por exemplo, se eu nomeio uma pessoa para um cargo e ela não consegue acompanhar e coordenar bem a função, tenho que nomear uma que corresponda às expectativas da empresa. Entendo que no setor público deve ser assim.

E o novo distrito industrial no Jardim Vante?
O projeto em si é muito bom. Bem conduzido e com boas indústrias, o local vai se tornar importante para a cidade.

Como o senhor analisa a mão-de-obra portofelicense?
Porto Feliz precisa investir mais em formação escolar, curso técnico. Agora dizer que tem que ir em outra cidade para contratar um profissional, eu não concordo. A Sid-Nyl não precisa disso. Prefiro mandar um profissional da nossa cidade fazer um curso em outro município. Enquanto existe desemprego na nossa Porto Feliz é preciso fazer isso e dar emprego aqui, quando não tiver mais empregados aqui, procuraremos em outra cidade.

A Sid-Nyl inspirou outras empresas na cidade no mesmo ramo?
Acredito que sim. Me sinto orgulhoso por isso. Acredito que se essas empresas trabalharem unidas, sabendo conduzir com um objetivo, não vão atrapalhar uma a outra.

Como o senhor vê a questão da segurança em Porto Feliz?
Porto Feliz é uma cidade pequena que tem problemas de segurança, como todo o Brasil. Em 1978, 1980, eu ia ao banco e deixava as janelas do carro abertas e, quando voltava, tudo estava do mesmo jeito. Hoje, não só em Porto Feliz, mas em qualquer lugar, independente das grandes metrópoles, a violência e a insegurança estão em todos os lugares. Está horrível e se não for feito nada, está todo mundo perdido. Como diz um amigo meu que é policial. Antes o policial era o caçador, hoje ele é a caça. É uma catástrofe.

A sua família passou por um problema de segurança. Como vê essa situação?
Não só a minha família, mas todos os cidadãos têm que tomar cuidado e ter muita cautela. Acredito que é importante continuar vivendo, com uma segurança privada, pelo menos para tentar evitar o problema. O dinheiro que o governo arrecada com os impostos nos dá direito a segurança, mas como o governo não fornece corretamente, temos que pagar novamente por alguma segurança particular.

O senhor acha que é fácil resolver a questão da segurança?
Acredito que não é tão difícil de resolver, mas precisa ter vontade para fazer isso. É preciso treinar e capacitar o pessoal especializado em segurança, dando suporte para que possam combater o crime com eficiência.

Quais os planos da Sid-Nyl para o futuro?
Neste ano de 2007 pretendemos inaugurar a ala administrativa e o setor industrial, fazer remanejamentos das máquinas e colocar para funcionar a parte nova da fábrica. Desejamos continuar crescendo e garantir um futuro bom, tanto para a empresa, para os funcionários, como também para a nossa Porto Feliz

Fonte:  Revista Viu!

Comentários

Voltar