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Terça-feira, 02 de Janeiro de 2007 - 08:30
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Renato Amary fala sobre eleição e sobre Porto Feliz

O ex-prefeito de Sorocaba Renato Amary (PSDB) conseguiu um feito inédito nessa eleição. Foi o deputado federal mais votado da história de Porto Feliz, com 4.096 votos. No cenário nacional, ficou entre os 10 mais votados de seu partido, superando, inclusive, colegas de alta plumagem. Com 180 mil votos, ganhou estatura política dentro do tucanato paulista para vôos mais ambiciosos.

Antes, porém, Amary quer fazer uma gestão marcante em Brasília na defesa dos interesses da região. Uma de suas propostas é definir a vocação de cada cidade e ajudá-las a implantar um projeto de desenvolvimento sustentável. E onde Porto Feliz entra nessa? “É só vocês dizerem o que precisam”, diz o deputado-eleito. Nesta entrevista, concedida em seu escritório em Sorocaba, ele fala sobre sua expressiva vitória e o trabalho que pretende desenvolver em Brasília.

Como o senhor avalia a expressiva votação que recebeu na cidade?

Nós trabalhamos muito para ter uma votação suficiente para ganhar a eleição. Entendíamos que a linha de corte do PSDB para deputado federal estava em torno de 130 mil votos. Então, fiquei muito satisfeito, porque extrapolou a minha expectativa ao chegar aos 188 mil votos. Realmente foi uma coisa muito alegre.


Em Porto Feliz, o senhor foi recordista de votos. Ultrapassou, inclusive, outros deputados que tinham apoio do ex-prefeito e do prefeito atual. Como avalia esse desempenho?

Fiquei muito feliz com o apoio que tive em Porto Feliz. Tivemos apoio dos vereadores Mumú (José Alberto Paifer Menk), do Nei do Mercadinho (Waldir), do Eugênio Motta, outras lideranças importante e, principalmente, do povo. A gente caminhou muito por Porto Feliz, conversamos com a população, pegamos na mão dos cidadãos na área comercial da cidade. Fizemos palestras. A gente teve também a atuação da TV, que chega na cidade. Acredito que tudo isso tenha contribuído para que o povo de Porto Feliz me dar a possibilidade de trabalhar pela cidade. E vou trabalhar muito pelos portofelicenses nos próximos quatro anos.

Como avalia o papel da sua equipe?

Graças a Deus, conseguimos conquistar o primeiro lugar em 12 cidades da região: Porto Feliz, Sorocaba, Buri, Quadra, Iperó, Boituva, Porangaba, Salto de Pirapora, Piedade, Cesário Lange, Alumínio, Araçoiaba da Serra. Em todas, tivemos uma equipe boa, trabalhando com muita vontade. Existia um compromisso político de nós estarmos juntos para trabalharmos esses quatro anos, para que a gente dê um salto de qualidade na região.

Sua administração frente à prefeitura de Sorocaba foi a sua grande bandeira?

Foi. Poderia dizer que durante esses oito anos a gente mostrou como é que podemos unir forças políticas na cidade. Sorocaba não foi diferente. Não fiz nada sozinho. Se não fosse o apoio da Câmara Municipal, votando todos os projetos de interesse do município... Também tivemos respaldo da sociedade organizada, das entidades, associações representativas e órgãos de classes. Todos ajudaram muito na conquista de novos equipamentos e condições de trabalho. Equipamentos na área de lazer, parques, na duplicação de avenidas, melhoria do sistema viário. Foi muito importante essa participação.

Sua esposa também foi bem votada nas mesmas cidades que o senhor...

Nós trabalhamos em conjunto. Onde ela mostrou serviço para várias cidades. Teve lugares que ela foi mais votada do que eu, como, por exemplo, em São Miguel Arcanjo. Lá ela foi mais votada do que eu, por conta do trabalho forte que realizou no município.

O que Porto Feliz pode esperar do seu deputado federal mais votado?

Preciso saber o que a cidade quer. Todos os meus discursos e compromissos de pré-candidato passaram pela bandeira do desenvolvimento regional vocacionado. Então, a gente precisa e vou ajudar que Porto Feliz se vocacione. O que Porto Feliz quer? Você como órgão de imprensa, o que quer? O que os portofelicenses querem para o futuro? Querem ser voltados para o turismo, vamos trabalhar isso; querem uma cidade que tenha um componente misto de indústria e agro-business, vamos trabalhar para isso; enfim, a gente vai buscar instrumentos para ajudar.

O que o deputado pode fazer pelas cidades, além de emendas orçamentárias?

Pode fazer muito mais se ele tiver um apoio logístico, institucional, conversando com a Fiesp, Ciesp, falando da cidade, mostrando o que ela tem a oferecer, “vendendo” a cidade, trazendo visitantes para impulsionar o desenvolvimento. Trabalhar pelo desenvolvimento da cidade é também induzir novos investimentos no setor privado para gerar empregos e renda. O estado pode ajudar trazer equipamentos para geração de renda.

Poderia dar um exemplo prático?

Temos em Sorocaba a universidade do trabalhador, onde nós fizemos praticamente uma escola. Foram dadas aulas para os sorocabanos aprenderem a fazer porcelana, biscuit, chocolate, pizza, artesanato, escultura na madeira, na pedra...Tudo isso para que a pessoa tivesse uma complementação na renda. A gente dá a vara para pescar e não dá o peixe pronto. Assim, ela vai buscar com sucesso a renda que ela precisa para sobreviver.

Qual a forma para se estabelecer o elo entre cidade- deputado?

Nós vamos ter três locais de atendimento, além da visita que vou fazer a Porto Feliz. Estamos reestruturando o escritório aqui na rua Piaiuí, 105, à disposição de todos vocês. Vamos ter uma sala de atendimento em São Paulo e um gabinete em Brasília. Então, vamos ter três locais de atendimento, fora as visitas que iremos fazer junto com nosso grupo em Porto Feliz.

Quem pode procurar o deputado? Tem que ser organizar ou pode vir sozinho?

Não, é só telefonar, marcar um horário. Se estiver aqui, vou atender. Para mim vai ser um prazer.

Qual a leitura que faz da derrota do Alckmin?

Nós ganhos em Porto Feliz e em todas as cidades da região, com exceção de Salto, Iperó e Votorantim. Isso mostra que fizemos a lição de casa e temos a aprovação da maioria da população. Ainda é muito cedo para ficar se culpando. Precisamos saber o por quê de não termos ido bem no segundo turno. Não sei se foi um problema com os aliados municipais, estaduais, federais; se foram os equívocos cometidos nos programas, nos debates na televisão. Esperava que a gente fosse bem e conseguisse uma vitória no segundo turno.

O senhor está indo para Brasília e vai encontrar um congresso fragilizado...

Talvez não, porque metade do congresso está sendo renovada. Embora, em outra parte, é uma metade que ainda tem que passar por um crivo da população para se saber que comportamento vão ter na Câmara Federal. O problema não é só comportamental, mas de competência política. Acredito na bancada do PSDB, que é forte e chega experimentada, com todas as características de seriedade, integridade, vontade de trabalhar.

Dá para pensar em uma ação articulada em prol da região?

Dá, mesmo porque fui deputado estadual e trabalhei muito assim. Quando alguns me ajudavam na minha região, eu ia ajudá-los nas regiões deles. Nada impede que a gente aja da mesma forma. O PSDB tem um grupo muito forte para trabalhar pela população.

A sua eleição mostra de uma forma prática o voto distrital é o caminho?

Sim. Mostramos que, aqui, queremos o voto distrital, sim. Embora tenhamos dados votos para candidatos de outras regiões, ficou caracterizado que a vontade da maioria da região é votar por candidatos da região. Fiquei muito feliz com isso.

E a reforma política?

Esse é o primeiro passo, embora ela já tenha começado nessa eleição. Um exemplo é a cláusula de barreira. Muitos partidos encontraram uma válvula na legislação e estão se unindo para passar os cinco porcentos. Mas é bom, porque você já vai tirando alguns partidos nanicos. A gente percebe que isso começa a ser afunilado e que outras ações devem ser implementadas. Precisamos ver, também, a questão da representatividade de cada estado na Câmara Federal e no Congresso Nacional. Vamos tentar trabalhar a reforma política com a representatividade per capta.

Qual é o seu grande projeto para Brasília?

Além de buscar as alternativas inerentes ao trabalho de elaboração de leis, como a reforma política, tributária, que me parece emergencial, pretendemos diminuir impostos, alíquotas e fazer com que o estado se ajuste à uma tributação menor. Hoje, a gente trabalha cinco meses do ano para pagar impostos; o salário atual fica cinco meses para o Estado e sete para você. Temos que fazer os deputados acordarem para isso. Precisamos de uma reforma administrativa para diminuir custos e cargos. O estado está inchado.

E a segmentação dentro do PSDB, entre Serra, Alckmin e Aécio?

É contemporâneo a gente trabalhar com essas coisas todas, embora a mídia pressione no sentido de ver o circo pegar fogo, de chacoalhar um pouco a coisa. Acho isso importante, porque a gente acorda e começa a trabalhar. Acredito que o PSDB precise de uma discussão interna. Não que precise ter 20 ou 30 líderes, mas precisa ter mais do que 2 ou 3. Precisamos trabalhar internamente, ver onde erramos na esfera federal. Tem lugares em que nem PSDB não existe ainda. No Amazonas, por exemplo, tivemos 12%, enquanto Lula teve 88%. A gente tem de fazer essas avaliações, que demandam tempo e vontade política.

O senhor é contra a macro-região?

Sim, porque acredito que é preciso vocacionar as cidades. Em primeiro lugar, temos que buscar investidores para as cidades, equacionar melhor a riqueza de cada município. Nós temos distorções muito grandes em nossa região; enquanto uma cidade está bem encaminhada para o desenvolvimento, nós temos cidades com grandes problemas estruturais de equipamentos públicos, com dificuldades. Em primeiro momento é buscar o desenvolvimento in-door, e depois então fazemos um grande pacto de uma região para um ajudar o outro.

Qual o recado que o senhor dá a Porto Feliz?

Queria agradecer muito a população de Porto Feliz, tanto por mim quanto pela Maria Lúcia. Quando fomos pedir votos, achei o povo portofelicense muito especial, generoso, encantador e quero honrar cada um desses votos que tive em Porto Feliz com o meu trabalho. Falo também pela Maria Lúcia, que vai fazer o mesmo. E não vejo a hora de pegar meu canudo no dia 1º de fevereiro para que eu possa buscar recursos para as cidades.

Fonte:  Revista Viu!

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