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Terça-feira, 28 de Julho de 2009 - 10:55
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Qualificação é a SOLUÇÃO

Confira na integra a entrevista que a publicitária oAna Paula Bastos Lisboa concedeu a Revista Viu! na edição 80.

O assunto que mais se ouve nos noticiários é o aumento do desemprego devido à crise mundial. Especialistas dão dicas do que fazer para não ficar desempregado e, caso isso ocorra, como correr atrás de outro emprego. A Revista Viu!, aproveitando que o assunto está em pauta, foi até Itu para entrevistar uma porto-felicense especialista no assunto: Ana Paula Bastos Lisboa.

A publicitária, graduada pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduada pelo MBA em Marketing da ESPM em São Paulo, tem mais de 10 anos de experiência em empresas de diversos portes e segmentos e atua como sócia-proprietária da Positiva Talentos Humanos, que atende Itu e região.

Nesta entrevista, Ana Lisboa fala sobre o mercado de trabalho na região, da importância da qualificação profissional, de como a mulher tem ocupado cada vez mais vagas nas empresas e dá dicas de como conseguir um emprego bom e com benefícios. Confira!

 Como surgiu a idéia de abrir a Positiva RH?

Estava em São Paulo há mais de dez anos e comecei a pensar em voltar ao interior. Descobri que as oportunidades na área de marketing eram muito escassas, mas que por outro lado, existiam mais empresas do que eu conhecia. Estudei o mercado para a criação de uma assessoria para as pessoas que, como eu, gostariam de um novo emprego, mas não sabiam como começar. Em 2004, abri a empresa.

Por que abriu a empresa em Itu e não em Porto Feliz?

Acreditei no potencial industrial da cidade, além do fácil acesso à região.

Quais foram as dificuldades encontradas no início?
Abrimos a empresa sem fazer dívidas, porém não tínhamos capital de giro reservado para muitos meses. Trabalhamos com todos os cargos inicialmente e muitos deles geraram mais problemas do que sucessos, tivemos taxas altíssimas de inadimplência e no final do primeiro ano fomos assaltadas, isso foi o pior, porém no meio da dificuldade, outras saídas surgiram.

Que tipos de trabalhos são oferecidos pela Positiva RH?

Fazemos recrutamento e seleção, treinamento e consultoria de RH e de marketing. Em recrutamento, trabalhamos buscando efetivamente emprego para as pessoas que cadastram o currículo no site. Todo o processo é feito via internet, através de um banco de dados próprio e exclusivo que hoje conta com 23 mil currículos aproximadamente. Nosso trabalho é pago pelo candidato porque trabalhamos para ele. Somos a ponte entre empresas contratantes e pessoas que querem ser contratadas. Em treinamento e desenvolvimento, conto com uma equipe de profissionais com qualificação em diversas áreas do desenvolvimento humano e, na consultoria, trabalho muito montando departamentos comerciais, o que engloba contratar, treinar, determinar metas e métricas e efetivamente colocar para funcionar.

Como está o mercado de trabalho na nossa região?

Está crescendo a cada ano. As pessoas têm o hábito de falar que na nossa região não há indústrias, mas discordo. Temos um parque industrial regional enorme e as empresas procuram absorver mão-de-obra regional por uma questão de custos. O que falta mesmo é preparação das pessoas que estão procurando trabalho.

E em Porto Feliz?

Porto Feliz sofreu muito com a perda da União São Paulo e a fábrica de tecidos. Hoje o maior empregador do município é a prefeitura, o que traz um certo acomodamento por

parte das pessoas e o volume de investimento acaba caindo. Por outro lado, temos algumas empresas trabalhando bonito, com profissionalismo e produção ascendentes.

Falta pessoas capacitadas?

Sim. É o principal impeditivo em um processo seletivo. Para se ter uma idéia, de cada 50 currículos que selecionamos, retiramos 20 para entrevista e muitas vezes não conseguimos contratar ninguém por falta de qualificação e também por falta de perfil profissional. Os erros vão desde os trajes usados na entrevista até vocabulário. Sem contar que muitas pessoas querem um “serviço” que lhes dê uma renda mensal e benefícios, mas na verdade, não querem trabalhar. Hoje todas as empresas contratam uma pessoa para fazer o trabalho de duas, trabalha-se muito mesmo. Quem tem atitude e competência fica, quem demonstra não gostar dessa realidade fica desempregado.

Falta mão-de-obra especializada para as empresas ou empresas para essa mão-de-obra?

O que falta mesmo é mão-de-obra especializada. E isso se comprova pelo número de vagas que os jornais mostram todo o final de semana. As vagas se repetem porque os processos seletivos acontecem sem haver contratação. A verdade é uma só: nenhuma empresa contrata um profissional sem que pelo menos ele se pague.

Qual a importância dos cursos universitários na hora da contratação de funcionários?

As universidades estão mais acessíveis. Os cursos de dois anos vieram suprir uma necessidade de formação profissional em virtude do crescimento do país. Os valores

das mensalidades estão menores, há mais acesso a crédito educativo ou financiamentos bancários. Há pessoas que ganham muito dinheiro na vida sem sequer ter estudado,

é verdade, mas até que se mostre potencial, o candidato a um emprego tem que ter alguma “carta de apresentação” que conte para as empresas, agências ou consultorias de recursos humanos que valha a pena conhecer aquela pessoa. Essa porta de entrada é a formação acadêmica no currículo.

O que levar em consideração para não escolher uma área que já esteja saturada?

Independente da saturação da área, o profissional tem que fazer o que gosta e o que mais sabe. Essa pessoa nunca ficará desempregada. Vale a pena analisar dentro das possibilidades de cursos os que melhor se adequam a vida que esse profissional quer ter. Ninguém estuda oceanografia se não quer passar a vida no litoral, por exemplo.


O curso técnico serve como ferramenta para contratar?
Os cursos técnicos superiores são valiosíssimos porque são mão-de-obra especializada, em curto tempo e com portas abertas para pós-gradução, já os técnicos profissionalizantes já adiantam o mercado de trabalho ao jovem profissional. Ambos são válidos. Ninguém nunca será punido por querer se especializar.

Onde estão as melhores ofertas de empregos na região?

Em um raio de 50km estão em Sorocaba e Indaiatuba. São vagas com salários maiores, mais benefícios, porém, logicamente exigem mais dos candidatos.


Quais são as profissões que mais contratam atualmente?

Nossa região é essencialmente voltada para a indústria que fornece ao mercado automotivo e, de modo geral, a base da administração nas empresas também contrata bastante.


A média salarial da região tem acompanhado a nacional?
Há um decréscimo em relação às grandes cidades e o momento de crise faz os salários caírem. Como há muita oferta de currículos, sempre se encontra alguém que aceite ganhar menos, mas esse profissional também não tem a qualificação inicial necessária, aí se manifesta o alto índice de rotatividade das empresas.

Como deve ser o currículo?

Ele deve despertar no contratante a vontade de conhecer aquela pessoa. Endereços incompletos, falta de descrição das atividades exercidas e redação ruim mandam os currículos para o lixo das empresas. Ficam nos bancos de dados os currículos completos, limpos, tradicionais e que têm riqueza de detalhes das atividades exercidas em cada cargo nas empresas.

Quais cursos são importantes para conseguir uma vaga?

Superiores em geral focados na área pretendida e os cursos de curta duração que mostram interesse em desenvolvimento constante.

Como está o mercado de trabalho para as mulheres?

As mulheres estão conquistando mais espaço sim. São dedicadas, vaidosas, determinadas e multifuncionais. São também mais falantes, combativas e têm que se dividir entre casa, filhos e trabalho, o que faz alguns empregadores prefirirem contratar homens. O

IBGE mostrou no último censo que as mulheres sustentam sozinhas boa parte dos lares no Brasil. Isso só está acontecendo porque elas estão ganhando o próprio dinheiro, no mercado formal, ou não, mas estão na batalha.

Você foi mãe e, ao mesmo tempo, continuou trabalhando. Como fez para conciliar essas duas coisas?

Desmontei meu escritório com oito meses de gravidez, fiz mudança de barrigão. Hoje tenho um home Office e trabalho muito nas empresas para as quais presto consultoria. Tenho mais cinco pessoas que trabalham comigo; todas são mulheres, a maioria mães e que também trabalham direto de suas casas. Fiz uso da minha licença-maternidade e logo no terceiro mês voltei a dar aulas na faculdade. Ter tempo para os filhos é fundamental, é o compromisso mais importante do dia, mas confesso que tenho dois facilitadores: minha filha fica na escola período integral – e está sendo ótimo para ela – e meu marido me ajuda com a casa. Fácil não é, mas tenho certeza que sou boa

mãe e em parte porque trabalho fora. Se ficasse o dia todo em casa cuidando da bebê iria ser maravilhoso, mas não tenho esse perfil.

Com a ampliação da licença maternidade para seis meses, a mulher pode perder postos de

trabalho nas empresas?

Depende da cultura do empregador. Quando fiz uso da minha licença maternidade

a empresa para qual eu trabalhava – o CEUNSP – recebeu minha gravidez com alegria e me confortou. Por outro lado, deixei a minha substituta preparada ao máximo para

exercer minhas atividades. Há empresas que vêem nisso um obstáculo, para essas, sugiro que contratem homens a pressionar a mulher por exercer o direito de ser mãe.


Como esse benefício tem sido visto pelos empresários?

Como um problema, pois toda mudança gera descontentamento a princípio, mas o cenário tende a se estabilizar, afinal de contas, é lei, precisa ser cumprida.

Após se mudar de Porto Feliz, qual a visão que tem da cidade?

Uma visão bem menos romântica, mas o carinho não deixa de existir.

Você se considera bem-sucedida como empresária?

Em partes. Há sempre o que melhorar. Amo trabalhar e preciso me aperfeiçoar para fazer melhor o meu trabalho, quero fazer cursos para me aprimorar como empresária e gostaria de fazer mestrado em educação para ser uma docente melhor. Aos trancos e barrancos, minha empresa está aí, há cinco anos, graças ao meu trabalho e também de muitas pessoas que acreditam em mim e na minha proposta profissional, se isso é ser bem sucedido eu não sei, mas eu sou uma pessoa muito, mas muito feliz.

Fonte:  Revista Viu!

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