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Domingo, 05 de Julho de 2009 - 10:11
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Precisamos de INDÚSTRIAS

Confira na integra a entrevista que o presidente reeleito da Associação Comercial Felix Schiavano concedeu a Revista Viu! na edição 79.

Desde o final de 2008, um dos assuntos que mais se houve falar é sobre a crise que está afetando o mundo todo. Porto Feliz também está sentindo seus efeitos e, apesar de ter superado as expectativas de vendas em dezembro, janeiro tem se mostrado um mês mais complicado para o  comércio local.
Para falar sobre o assunto, a Viu! entrevistou Felix Schiavano, 55 anos, administrador de empresas formado pela FAC (Faculdade de Administração de Capivari), ex-presidente do Rotary Clube e recém reeleito presidente da Associação Comercial e Empresarial de Porto Feliz (ACEPFZ), para o período 2009/2010.
Schiavano, que iniciou sua carreira na antiga loja Habice e se aposentou na Lanxess, fala sobre sua experiência como proprietário de uma franquia, o trabalho à frente do Rotary Clube e da Associação Comercial e as expectativas sobre o desenvolvimento da cidade, que, na sua opinião, precisa de mais indústrias para gerar empregos.

Por que se tornou empresário?
Sempre tive vontade de ter meu próprio comércio. Queria ter alguma coisa minha. A primeira coisa que fi z após sair da LanXess foi tentar ter meu próprio negócio. Mas para montar um comércio sem apoio nenhum e com a experiência que eu tinha de administração, fica mais fácil com uma franquia, que já tem know-hall e dá assistência técnica. Então procurei várias e encontrei a Cacau Show e a Primêssencia.

Como foi no início?
No prédio que montei tinham dois salões. Optei por uma loja de chocolate e uma de cosméticos, que era uma marca nova em São Paulo. Como não tinha estrutura para dar a assistência que precisávamos, passei a revender Lacqua Di Fiori, mas ficou complicado, porque são dois ramos diferentes. Preferi manter a Cacau Show.

Como está o mercado hoje?
A Cacau Show vem crescendo desde que abriu suas portas, três anos atrás. Em 2006, tivemos uma fase ruim, difícil de passar, mas após esse período temos conseguido manter a média de vendas da rede e, algumas vezes, até ultrapassamos esta marca.

O senhor é rotariano. Que tipos de trabalhos desenvolve no Rotary?
O Rotary é uma entidade internacional, que nasceu em Chicago há mais de 100 anos. O Rotary presta serviços à comunidade, apoiando, formando opinião, exercendo atividades para a sociedade.

O senhor foi presidente do Rotary. Como foi seu mandato?
Os eleitos têm metas para cumprir, juntamente com o governador distrital. As nossas eram cuidados com os recursos hídricos, alfabetização, saúde e nutrição, desenvolvimento do quadro social e contribuição à Fundação Rotária. Atingimos todas elas. Na minha gestão, nós conseguimos comprar 50 cadeiras de rodas e iniciamos o projeto para mobiliar a Casa Lar da APAE.

Como foi a eleição na Acepfz?
Desde que trabalhei na LanXess já fazia parte do conselho da Acepfz. Me convidaram para assumir a presidência e aceitei, pois estávamos com um grupo muito bom. Então, dei continuidade ao trabalho.

O que fez na sua gestão?
O primeiro investimento foi a divulgação maior do comércio, mandando notícias para rádios, revistas e jornais, fazendo uma campanha para incentivar o consumidor a comprar na cidade. Também implantamos o $I$ (Sistemas de Idéias e Sugestões), pelo qual recebemos sugestões do cidadão e encaminhamos para quem de direito executar. Implantamos o “Iluminatal”, continuamos com o programa Degrau e, através de parcerias, trouxemos o Sebrae e Senai e iniciamos o concurso de Vendedor Destaque do ano.

Como funciona a parceria com o Sebrae?
É uma parceria fi rmada entre o Sebrae, a Acepfz, a Prefeitura e o Sindicado dos Plantadores de Cana, pois se não tivesse a iniciativa privada junto com a Prefeitura, o Sebrae não viria para a cidade. Depois, a Acepfz e o Sindicato Rural montaram a sala, cedemos o mobiliário e os equipamentos. O Sebrae entra com o know-hall e a prefeitura com os funcionários. O Sebrae dá toda a infra-estrutura e apoio ao iniciante - pequenas e médias empresas.

O que fará no seu segundo mandato na Acepfz?
Para esses dois anos, daremos continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo de valorização do comércio, trabalharemos para incentivar o turismo. Temos o apoio do Sebrae para desenvolver um projeto turístico sustentável, pensando no desenvolvimento e capacitação dos pontos turísticos e da mão de obra. Hoje, Porto Feliz não tem uma estrutura própria para atender o turista. Por exemplo, os ônibus que vêm para a cidade ficam uma hora e vão embora, sem deixar nenhum recurso aqui. O que nós queremos fazer é desenvolver o turismo econômico, pois não podemos gastar com o turismo, e sim ganhar, fazer uma indústria do turismo. Para isso, precisaremos ter mais hotéis, restaurantes, lanchonetes, lojas etc.

Qual a participação da associação no embelezamento das lojas?
A associação, em parceria com o Sebrae, escolheu 30 empresas para receber uma consultoria e fez um levantamento das necessidades das mesmas, além de dar diversas dicas. As empresas fizeram as adaptações necessárias e devemos realizar mais uma vez esse projeto, agora no centro e um na Vila Progresso e na Água Branca.

O senhor concorda que a beleza estética é mais importante que a geração de empregos?
Se a cidade estiver feia, os visitantes vêm e vão embora. Claro que a prioridade é ter empregos, mas deixar a cidade bonita também ajuda no turismo

O que precisa melhorar para aumentar as vendas? Pelo fato de nós sempre falarmos que o comércio tem melhorado na cidade, vieram muitas lojas grandes para cá. No entanto, faltaram empresas. Então, o mercado ficou dividido em mais lojas, inclusive pelas de grande porte, que vêm e abocanham o mercado. As lojas menores estão sofrendo com isso. Tivemos uma melhoria na área comercial, porque hoje temos grandes lojas, muitas franquias, com algumas que encontramos geralmente em shopping centers. Melhorou bastante o nível comercial.

O que a ACEPFZ tem feito para melhorar essas vendas?Fizemos alguns projetos em parceria com o Sebrae, como cursos e o Sebrae na rua, que ajudou bastante, porque o pequeno comércio tem que se diferenciar pelo atendimento, além de ter a tradição ao seu lado.

Houve muitas mudanças com a chegada das grandes lojas?Houve prós e contras, mas o melhor foi que as pessoas deixaram de ir para outras cidades para comprar. Nós fizemos duas pesquisas seguidas e o número de pessoas que costumavam sair da cidade em busca de produtos reduziu significativamente.

Por que a Casas Bahia foi embora da cidade?
As grandes redes ocupam todos os espaços que têm e já estão nas cidades com 50 mil habitantes. O problema é que, muitas vezes, a realidade local não dá o retorno que precisa ter para manter uma loja aberta, pois tem muitos funcionários, gastos enormes com água, luz, impostos, uma grande estrutura. Se não conseguir manter o equilíbrio, eles fecham.

Existe mesmo um projeto de um calçadão no centro?

Existe um projeto de revitalização do centro. Mas o problema é que não temos muita fluidez no trânsito. O que pode ser feito é eliminar alguns pontos de estacionamento e aumentar as calçadas, porque os pedestres não têm como andar na cidade hoje, principalmente em dia de pagamento.
A falta de estacionamento prejudica as vendas?
Sim. Hoje temos quatro estacionamentos pagos que não absorvem tudo. É preciso conscientizar as pessoas sobre a questão da zona azul, que custa R$ 0,50, mas deveria custar mais, já que existem pessoas que ficam o dia inteiro em uma vaga, apenas trocando os papéis, sem dar oportunidade para outros estacionarem. Essas pessoas deveriam colocar seus carros em um estacionamento onde tem segurança e, assim, desenvolveria mais esse segmento comercial.
Os comerciantes do Bambu serão prejudicados pelo desvio do trânsito pela av. Dr. Antoninho?
Essa avenida vem para melhorar a cidade, pois deixará o trânsito com mais fluidez. As pessoas que compram nestes comércios continuarão a manter a mesma rotina. Não vai haver diferença para esses estabelecimentos.

Existe algum projeto de shopping em Porto Feliz?Não, pois nossa cidade não tem tamanho suficiente para manter um. Precisamos de indústrias para aumentar a população e o PIB per capta, que é de R$ 9,45 mil, enquanto das cidades da região estão na média de R$ 15 mil. Para melhorar isso precisa de boas empresas.

O que fazer para trazer mais empresas para Porto Feliz?

Tem que haver um incentivo para que venham para cá, pois nenhuma virá porque gosta da cidade ou acha bonita. O prefeito deve incentivar empreendedores a criar distritos industriais para atrair empresas. Não podemos pensar em um distrito cedido pela Prefeitura. Só isso não vale porque as empresas boas não estão preocupadas em ganhar um terreno, mas sim buscar um lugar que possamse desenvolver e tenham mão-de-obra capacitada.
Qual foi a participação da associação no plano diretor?Discutimos sobre a revitalização do centro, definição da área geográfica comercial da cidade, criar loteamentos com estrutura comercial própria, etc.

Como vê a atual administração?Tivemos sorte no âmbito político e estrutural nos últimos anos. A vantagem que temos é que a Rodovia Marechal Rondon está sendo duplicada, e Porto Feliz tem tudo para se tornar um eixo-industrial. Acredito que o prefeito tem feito um bom trabalho. Também precisamos de escolas profissionalizantes e faculdades, pois nenhuma empresa virá para Porto Feliz sem mão-de-obra capacitada. Temos que ter estrutura física e pessoas capacitadas, pois ambos estão amarrados e não podemos ficar parados esperando isso acontecer. Tem que começar já para ser mais um ponto positivo a favor da cidade, na busca por novas empresas.
O que mais precisa?Como em todos os lugares, a saúde precisa melhorar. Na segurança, é preciso inibir a violência por meio de câmeras de vigilância e monitoramento, pois os bandidos vão onde tem menos segurança e brechas para agirem.
Apesar da crise, as vendas de fim de ano superaram 2007?

Sim, as vendas foram boas para o comércio, com exceção de algumas lojas, outros superaram os 10%. A crise está atingindo a cidade. O mês de janeiro é crítico para todos.Houve uma diminuição nas vendas, mas não podemos pensar apenas na crise e esperar ela passar. Temos que continuar a trabalhar e tentar superá-la. Incentivamos os comerciantes a superarem as expectativas do cliente, com excelência em atendimento e o que faz a diferença entre crescer e estagnar é valorizar o cliente sempre.

Fonte:  Revista Viu!

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