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Sexta-feira, 16 de Março de 2007 - 08:56
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"O negócio é investir" diz Robert Madersdorfer

"O negócio é investir" foi a primeira frase dita por Robert Madesdorfer, gerente da Lanxess de Porto Feliz. A empresa é a principal fábrica de pigmentos inorgânicos à base de óxido de ferro na América Latina. Há mais de 25 anos, está instalada no Distrito Industrial Campo Largo em Porto Feliz e anunciou, no começo do ano, que fará um investimento de US$ 3,7 milhões na filial portofelicense, possibilitando um aumento na capacidade de produção de pigmentos inorgânicos até o terceiro trimestre de 2007. Robert Madersdorfer está há 10 anos no Brasil e ocupou cargos de liderança desde a compra da antiga Globo Tintas, que mais tarde tornou-se Bayer e, em junho de 2004, passou a se chamar Lanxess.

Nesta entrevista, Robert fala sobre as dificuldades de adaptação a um novo país, as diferenças culturais, a estrutura atual da empresa, os produtos e serviços que oferece e sobre as expectativas para 2007.

Como foi a sua vinda para Porto Feliz?

Foi uma grande experiência. Um país novo, um projeto muito interessante de unificação e modernização de três fábricas. Então, segui a tradição dos Bandeirantes, que partiram de Porto Feliz para descobrir novidades. Um deles era o meu compatriota Barão de Langsdorf no século 19.

Quais foram as principais dificuldades que o senhor encontrou?

Em primeiro lugar aprender a idioma. O pessoal ajudou bastante durante essa fase. Também a adaptação no clima tropical foi inicialmente um pouco incômodo. O tamanho da cidade de São Paulo era assustador para um europeu, trânsito intenso. No interior me senti rapidamente em casa.

Sentiu muita diferença cultural entre o Brasil e a Alemanha?

Inicialmente sim. Em geral o clima se espelha na mentalidade das pessoas. Na Europa é mais frio e as pessoas são mais reservadas. Aqui no Brasil, apesar das circunstâncias, o calor humano é fantástico, tornando muito mais fácil a integração e adaptação dos estrangeiros.

Como está estruturada a Lanxess atualmente?

A Lanxess é uma empresa nova e independente, nascida da união dos negócios de produtos químicos e parte da área de polímeros da Bayer. A empresa tem sua matriz em Leverkusen, na Alemanha, e está presente em outros 18 países. Seu portfólio variado de produtos está distribuído em 14 unidades de negócios que integram quatro grandes áreas: Borrachas de Performance, Plásticos de Engenharia, Química Intermediária e Química de Performance. Emprega cerca de 17.300 colaboradores em todo o mundo. A Lanxess é uma empresa dinâmica, orientada para o futuro, com foco nos negócios que se destaca entre os líderes mundiais no segmento de produtos químicos.

Quais tipos de produtos e serviços a Lanxess oferece?

Nosso portfólio inclui químicos para proteção de materiais; químicos para o tratamento de couros; aditivos para polímeros e borrachas; pigmentos inorgânicos; plásticos de engenharia; química básica e fina; borrachas sintéticas e resinas de troca iônica, além de corantes e pigmentos especiais. A fábrica em Porto Feliz faz parte de um dos mais importantes negócios da Lanxess no Brasil, a unidade de Pigmentos Inorgânicos, responsável pela produção de produtos líderes de mercado, como o Bayferrox e o Xadrez.


Como a Lanxess atua na área de responsabilidade social e meio ambiente?

Somos uma empresa “socialmente responsável” pela ética que aplicamos às nossas relações comerciais, seja com clientes, fornecedores ou órgãos governamentais. Temos práticas e políticas para estimular o desenvolvimento de nossos empregados e das comunidades onde estamos inseridos. Em Porto Feliz há um significativo número de projetos já realizados, como a instalação das Salas de Leitura. Em relação ao meio ambiente, nossa fábrica é um exemplo de administração responsável. Utilizamos processos de gerenciamento dos recursos naturais que servem de modelo para a indústria. Uma das mais novas iniciativas é o projeto de reuso da água. Além disso, há outras iniciativas como a redução ou quase a eliminação de resíduos industriais devido a novos processos implementados. Separação e reciclagem de resíduos aproveitáveis são também itens importantes a citar que evitam a geração de resíduos. É uma das nossas principais metas. No setor de energias usamos principalmente fontes renováveis.

A Lanxess está dentro da expectativa de crescimento esperado?

Sim. Desde que iniciou suas atividades no Brasil, em julho de 2004, a Lanxess tem registrado crescimento na ordem de dois dígitos, ano após ano. Isto é, sem dúvida, um feito formidável, se considerarmos que o país cresce a uma taxa anual de apenas um dígito. A área de pigmentos inorgânicos, da qual fazemos parte, em especial, tem obtido resultados muito bons e, em 2006, batemos recordes de produção e de vendas. Com esta performance, conseguimos aprovação da matriz para o investimento no aumento da capacidade de produção da planta.

Acredita que a cidade acompanhou o ritmo de crescimento da Lanxess?

Creio que isto não é comparável porque o mesmo ritmo não é possível devido aos recursos da cidade serem limitados, como também a possibilidade de agir rapidamente e de forma flexível é muito restrito devido considerações múltiplas do setor público que uma empresa não tem. O caminho de implementar decisões é mais curto no setor privado.

Como é o relacionamento da empresa com o município?

Muito bom. Somos parceiros e trocamos constantes experiências, sempre nos tratamos com respeito. Independente da administração, concluímos vários assuntos em conjunto.

A administração pública influencia no crescimento empresarial da cidade?

O objetivo em comum de todos os envolvidos tem de ser a geração de empregos. Isto permite um crescimento sustentável. Todas as ações, independente do gestor, devem ser tomadas como prioridade.

Como a prefeitura pode incentivar esse processo?

Melhorando a infra-estrutura e dando incentivos para a decisão de colocar empresas em Porto Feliz.

Porto Feliz tem mão-de-obra qualificada?

Para o segmento da indústria química não. Nós investimos significativamente na formação de profissionais qualificados, por exemplo, o curso de técnico químico em Porto Feliz.

Quais são suas expectativas para 2007?

Crescimento para aproveitar as chances que os países dos mercados emergentes Brasil, Rússia, Índia e China oferecem. O planejamento geral tem que ganhar acuracidade, suprir maiores demandas de energia elétrica com investimentos estratégicos. Em Porto Feliz, investimos para manter os empregos e criar um crescimento sustentável futuro.A empresa Lanxess está convencida sobre o benefício do princípio do elemento humano.

Qual sua avaliação sobre o governo Lula?

Creio que o caminho da estabilização monetária está correto, mas agora precisamos de inovações e velocidade na geração de empregos.

Como vê a crise ética e política no Brasil?

Não podemos generalizar, afinal de contas, há muita gente séria trabalhando também. É triste observar tantos escândalos na esfera pública. O país dispõe de fartura em recursos minerais, tecnologia e tem se desenvolvido em segmentos variados.

Como aplica a sua cultura no dia-a-dia na empresa?

O segredo é simples: confiança e transparência sem a famosa “fofoca”, para evitar desperdício de energia que é necessária para atingir no máximo o princípio da melhoria contínua. Trabalho em grupo com a possibilidade de opinar livremente e educadamente, trás vantagens independente da hierarquia. É necessário disciplina do grupo para focar as metas estabelecidas e nunca desistir das conquistas.

Em algum momento, a Lanxess pensou em sair de Porto Feliz?

De forma alguma. A fábrica de Porto Feliz compreende um dos mais importantes negócios da empresa no país. Pelo contrário, estamos fazendo novos investimentos na unidade para expandir a capacidade de produção, especificamente a nossa linha de Bayferrox Amarelo que cresce de 20% para 24%, vários projetos referentes ao uso mais eficaz da energia e utilização de recursos renováveis.

Fonte:  Revista Viu!

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