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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014
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Generosidade gera Amor

   Inicio essa reflexão com uma frase do meu mestre, filósofo e educador Régis de Morais (1940): “o amor é um rico encontro humano cuja duração não se deve ser discutida”. Esse sentimento rico que se traz para uma união é posto sob o teste do convívio cotidiano e, aquelas pessoas que não puderam aprender a respeitar a plenitude do ser humano, podem provocar a implosão da substância do amor. No entanto, o amor pensado numa relação eu-tu, não está só no eu nem só no tu; está em sua maior parte no entre, está na arte que duas pessoas precisam conquistar de um relacionamento feito de compreensão e generosidade.
   Entretanto, se alguém perguntar a quem está amando, por que ama aquela determinada pessoa a qual dedica seu sentimento, e a pessoa que estiver amando souber explicar por que, este pode ter certeza de que está vivendo uma ilusão. Não conhece o amor. Não se ama alguém por razões lógicas, por ser moreno ou claro, gordo ou magro. Simplesmente e de uma forma espantosa, olha-se para uma pessoa e se tem certeza de que vai precisar da companhia dela. A sua presença mexe com a mente, com o coração e com a sexualidade de quem a olhou. Entra em ação uma energia misteriosa que vem de regiões profundas do nosso eu cósmico, que nós mesmos não conhecemos. Quando se começa um relacionamento amoroso, experimenta-se uma certa sensação de medo e terror, como se forças desconhecidas e que escapam nosso controle nos ameaçassem.
Todavia, há perfeita razão para esse medo, pois, se o amor encontra condições favoráveis de enriquecimento, ele se cumpre de uma forma boa e que gradativamente nos conduz à autorrealização; mas, se ele encontra obstáculos e condições agressivas, pode encapelar-se em paixão doentia, levar a desesperos que apresentam até risco de conduzirem à autodestruição. É uma relação marcada pela insegurança.
Embora muito já se dissesse que é preciso saber aceitar as pessoas tal como elas são. Mas é preciso estar-se atento para que aceitar alguém como é não significa torna-se cúmplice dos seus vícios e fraquezas. Trata-se de compreender as razões pelas quais a fazem ser como é (possessivas, autoritárias, inseguras, etc.), nunca, porém deixando de convidá-la a examinar a possibilidade de corrigir seus defeitos. Isto exige muito equilíbrio, pois, pode-se cair no oposto de pensar que uma pessoa só é boa e está certa quando seu pensar e o seu agir batem cem por cento com o nosso. Quem garante que estamos certo?
Portanto, o amor é um sentimento singular e maravilhoso, que acontece entre os humanos, não entre anjos. O que é preciso é uma enorme vigilância para não se confundir liberação amorosa sexual com aceitação vulgar da condição de produto descartável. O amor transcende a todo entendimento racional, transcendendo, portanto tudo que dissemos. É o sentimento mais alto do ser humano e, como disse o poeta Vinícius de Moraes (1913-1980): “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.

Eduardo Morais
Eduardo Morais é filósofo – educador, autor do livro: “Discutindo a Vida – A arte de pensar diferente”

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