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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013
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A alegria de brincar

   A alegria de brincar está na essência da vida, assim como amar também está. Se estivermos felizes sem nenhuma restrição, nossa vida amorosa será linda, isso é maravilhoso. Pois essa vida é provavelmente uma grande e gloriosa aventura de realizações físicas, intelectuais, emocionais e espirituais. Desde que saibamos dar e receber amor. Sentir-se amado é talvez a necessidade mais imperiosa na vida dos seres humanos. Mesmo que por alguma razão nos sentimos rejeitados na infância, e ainda continuamos a sentir. É na alegria de brincar que a criança aprende com os adultos o que é ser gente grande.

   Tive o privilégio na minha vida estudantil de ter bons professores. Entre esses grandes mestres estavam a Profa. Dra. Alina Purvinis Musolino, que lecionava Psicologia da Personalidade no curso de graduação em Filosofia. Sua principal tese era mostrar como acontecia na primeira infância o aprendizado do padrão mental negativo, geralmente herdado dos pais, e que na idade adulta leva o indivíduo a não acreditar no que está sentindo e vivendo no campo afetivo. Aquela vida amorosa que você desejou ou lutou em vão para construir, não foi apenas um sonho de jovem idealista. O amor não é apenas uma palavra. Realmente é possível amar e ser amado sentindo-se realizado, não apenas por um momento, mas por toda a vida. É preciso começar a confiar e querer mudar. Descontrair o espírito e relaxar o coração.  

   Para a psicóloga e educadora Alina Musolino, a satisfação dessa necessidade resulta a saúde mental, o equilíbrio emocional e o desenvolvimento da capacidade para amar a si próprio e aos outros. A frustração dessa necessidade e a introjeção de um padrão mental negativo, auto-rejeitador, agressivo e defensivo, geralmente herdado dos pais, ainda na primeira infância, onde forma a raiz de todas as neuroses que impedem o pleno amadurecimento da personalidade e a vivência de experiências gratificantes nos planos emocionais afetivos, físico-sexual e profissional. Para consolidar a paz esperançosa entre o meu adulto e a criança que habita em mim, esses dois adversários de toda a vida, precisam aprender a brincar juntos, a conciliar o bom humor. São duas forças antagônicas que se completam. O emocional e o racional.

   O que significa brincar? Que parte da vida você considera brincadeira? Sua brincadeira é verdadeiramente despreocupada, alegre e feliz? A maioria das pessoas, não é capaz de brincar dessa maneira positiva. É bom lembrar, que a competição destrói o espírito da brincadeira. Grande parte das reuniões sociais, principalmente, nos bares onde a embriaguez também não é lazer, tendo em vista, que seu objetivo é o alivio da solidão e a esperança, de achar um parceiro de cama, para encher momentaneamente a taça vazia de amor. No entanto, a necessidade de atenção ou de aprovação no lazer, assim como no trabalho, sempre vem da síndrome do amor negativo. Aqueles que não se sentem amados e indignos de amor carregam esse fardo, para todas as áreas de sua vida.

   Infelizmente, muitas crianças nunca brincam com prazer. Ou elas estão sozinhas, sentindo-se não amadas e rejeitadas, ou experimentam as brincadeiras negativamente, brigando, atirando coisas e perturbando a diversão dos outros. A brincadeira negativa é outra forma de condicionamento de amor negativo dos pais não amorosos. Contudo, aprendemos que a mãe e o pai são a fonte dos nossos problemas amorosos. No entanto, eles próprios são vitimas inocentes da infelicidade que sentem, mas não declaram. E o mais grave, você sabe que pode estar em guerra contra você mesmo e que também é inocente nessa história. Como humanos somos dignos de amor. Somos parte da luz, e como tal cada um está na luz. Debaixo das camadas de negatividade, está sua essência real positiva e perfeita. Seu ser espiritual. O amor positivo não precisa ser aprendido. Simplesmente deve ser descoberto.

   Portanto, quando o eu emocional chega à mesma idade cronológica do intelecto adulto. Quando se olham amorosamente no santuário da sua essência, compartilham os cinco passos do amor que é: compreensão sem condenação, compaixão, aceitação, perdão e amar juntos. Contudo, o amor é mais do que algo para aprender a respeito. É a experiência humana máxima e temos o direito de reivindicar essa experiência. Cabe a cada um apenas revelar sua essência indestrutível, semelhante a um diamante, positiva, amorosa e espiritual. Essa luz que é você.

Eduardo Morais
Eduardo Moraes é filósofo – educador, autor do livro: “Discutindo a Vida – A arte de pensar diferente”

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