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Quarta-feira, 08 de Janeiro de 2014
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Latinha

   Meu texto de hoje foi apresentado durante o 2° Festival Literário de Porto Feliz, no qual conquistei o 3° lugar, na categoria Crônica.
   Eu estava ali, entre a mão e a boca, sem saber qual seria meu destino. Era o último gole, a última vez que estaria junto daquela pessoa. De repente fui levado para a boca acabou-se ali.
Fui arremessada em seguida pela janela do carro. Qual seria o meu destino? Não sei, só sei que rodopiei muito até cair a beira da estrada.
   Sozinha, ali permaneci, até que alguém me avistou, abaixou, olhou pra mim e sorriu. Parecia que tinha ganhado na loteria.
   Me pegou, levantou e colocou junto com várias outras que lá estavam.
   Qual seria meu fim? Não sei, só sei que restava apenas esperar.
   O barulho era tão grande quando as rodas da bicicleta passavam pelos buracos, parecia com uma torcida em um estádio de futebol. Fui levada sem esperança de continuar.
Ao chegar na casa de quem me pegou, fui retirada da garupa da bicicleta e aquele saco, no qual fui colocada foi encostado na parede da garagem. Ali, permaneci na chuva, no sol, noite e dia. Qual seria o meu destino?
   Não sabia, apenas me restava esperar.
   Alguns dias depois, parou um caminhão e pensei que seria minha última viagem. No entanto, o motorista gritou: "Só levo as que estiverem amassadas". Nesse momento, eu sorri, porque era a única que estava linda, perfeita, com uma roupa colorida. O que seria de mim?
   Fui pega, olhares se cruzaram e eu, sem saber direito o que ocorreria, fui levada a uma prensa e lá colocada. Não adiantava gritar, apenas senti quando tudo foi se apertando. Cantinho por cantinho...
   Ouvia os rangeres da prensa e do meu corpo, perdera-se ali minha cor, minha forma. Dentro de mim não levaria mais nada, apenas seria juntada a tantas outras e fui levada novamente. Ali, prensada com elas, fiquei unida, parecia gigante, mas estava apenas envolta em um grande quadrado. Pensei que estaria tudo terminado. Me enganei.
   Quando fui jogada em um local muito quente, fui derretendo aos poucos, mas depois me tornei algo novo e seria novamente utilizada.
   É assim a vida de uma lata de alumínio, por isso, recicle!

Alison Souto
Alison Souto é representante comercial e presidente dos Vicentinos de Porto Feliz. Nascido em São José do Ivai, Paraná, mora há 28 anos em Porto Feliz.

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